Empreender sem rota: como um ciclista levou o cicloturismo para a Amazônia
Por Redação Zumm em 15 de julho de 2025Natural de Ribeirão Preto, Paulo Mil Homens foi pioneiro do cicloturismo no norte do país com a sua empresa Muriki
Por Miguel El Debs*
Algumas jornadas transformadoras acontecem quando nos vemos literalmente sem rota, mas com vontade de seguir. Esse foi o caso de Paulo Mil Homens, natural de Ribeirão Preto, publicitário por formação e, há seis anos, pioneiro do cicloturismo na Amazônia com a Muriki. Porque Paulo não apenas enfrentou um território inexplorado, como ele construiu todo um modelo que não existia.
E é nessa descoberta que mora a magia “do empreender com propósito”.




Quando o terreno é o desconhecido
Morando em Santarém (PA) há mais de oito anos, Paulo já se considera “santareno de coração”. Mas antes de se integrar às comunidades locais, os desafios eram vários.
“Começar a empreender em um segmento que não tinha exemplos locais foi um desafio enorme, lidar com a sazonalidade do turismo e as limitações de estrutura do território quase me fizeram desistir”, lembra o empreendedor.
Afinal, era um desafio duplo, já que exigia explorar uma região a mais de 1000km de Belém (PA) e lidar com fluxo irregular de turistas. Mas foi nesse terreno instável que ele descobriu sua própria força: ele entendeu que resistir, criar e executar com os recursos à mão são os caminhos para transformar ideias em impacto real.



Inovar para sobreviver
Quando a crise chegou, Paulo não baixou a cabeça; ele mudou a estratégia. “Abrimos o leque, passamos a oferecer eventos esportivos e criamos uma linha de vestuário para ciclistas”. Essa diversificação, no fim, apresentou três resultados: ajudou a manter o negócio vivo; acrescentou propósito; e mostrou um princípio-chave do empreendedorismo: pensar fora da rota tradicional pode ser a maior vantagem competitiva.
Contudo, outra grande virada veio com a decisão de diversificar os roteiros, ampliando os destinos e conectando comunidades. Em um começo cheio de risco e adivinhação, a resposta do público confirmou que aquela era caminhar na direção certa. A incerteza virou oportunidade e mais um novo capítulo da história da Muriki.


“Os feedbacks dos clientes foram fundamentais pra corrigir erros, ajustar os roteiros e melhorar a experiência”, garante o empresário, que passou a fazer da escuta uma bússola do seu negócio.
Inclusive, quando ele me contou isso, lembrei do impacto que a escuta ativa causa, especialmente em negócios de experiência. Transformar cada pedalada em um aprendizado colaborativo tornou a empresa melhor a cada rota.

Reflexão
Ao acompanhar a trajetória de Paulo fica claro que empreender é sempre um ato de coragem. Há riscos reais, comece sem cliente, amplie um modelo novo, escute e repense, e é justamente nessas rupturas que o sentido acontece. A Muriki não é apenas um negócio: é um convite para pedalar junto, experimentar o percurso e, junto, construir uma rota nova.
Convido você a me indicar outros empreendedores que, como o Paulo, estão diagramando mapas que ainda não existiam. Se topar esse desafio, manda por aqui (contato@grupozumm.com.br)!
* Miguel El Debs, sócio do Grupo ZK, conselheiro estratégico de empresas de pequeno e médio porte e head do LIDE Empreendedor | Ribeirão Preto
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